Primeiro filho do capitão
João Daudt e de Catarina Haffner, João Daudt Filho nasceu
em Santa Maria, no dia 20 de junho de 1858. Aos 5 anos de
idade, entrou para a Escola Régia do professor Juca Fontoura
(as escolas públicas, pela tradição colonial, eram denominadas
Escolas Régias). Ainda em Santa Maria, estudou no Colégio
Wellington e no Colégio Walwitz.
Em São Leopoldo aperfeiçoou
seus estudos no Colégio dos Jesuítas, Nossa Senhora da Conceição.
Mais tarde, cursou Farmácia, na Faculdade do Rio de Janeiro.
Retornou à Santa Maria em fevereiro de 1882. Sua volta foi
festejada, sendo saudada pelo Juiz Municipal, Dr. Felipe Alves
de Oliveira, que mais tarde tornou-se seu cunhado.
Em 27 de janeiro de
1889, um grupo de amigos da sociedade santa-mariense, liderados
por João Daudt Filho, uniu-se em torno de um objetivo comum:
construir um teatro em Santa Maria, Rio Grande do Sul, uma
antiga aspiração dos moradores desta cidade interiorana. Em
reunião, foram subscritos 20 contos de réis para a construção
do teatro, que foi denominado Treze de Maio em homenagem à
abolição da escravatura.
Os primeiros recursos
foram destinados às providências iniciais de comprar o terreno
na Praça Saldanha Marinho, zona central da cidade, fazer o
lançamento das ações, projetar a planta, que ficou sob a responsabilidade
do arquiteto e ator Carlos Boldrin, adquirir a madeira que
havia sobrado da demolição da Igreja Matriz e, finalmente,
edificar o novo prédio.
João Daudt Filho organizou
uma sociedade dramática, da qual foi diretor e ator. O dinheiro
adquirido com a realização dos espetáculos era utilizado para
pagar a construção e equipamentos do Theatro.
Assim,
no ano de 1890, foi inaugurado o Theatro Treze de Maio (em
estilo neo-clássico), dando início a uma intensa atividade
cultural durante os 23 anos que se seguiram. João Daudt Filho
foi pai adotivo do grande poeta santa-mariense Felippe D'Oliveira,
seu sobrinho. A focalização do nome como "Theatro"
nunca significou, em sua história, qualquer tipo de restrição,
ainda que reforce a importância das artes cênicas para a cultura
de um povo. Em 1913 foi comprado pela Intendência Municipal,
que passou a utilizá-lo para outras finalidades. Foi sede
da redação do Diário do Interior de 1916 a 1920, do Foro da
cidade até a década de 40, e Biblioteca Pública e Centro Cultural
até 1990.
(Fonte: RECHIA, Aristilda. In: "SANTA
MARIA: Panorama Histórico
Cultural". Associação Santa-Mariense de Letras, 1999.)
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